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terça-feira, 11 de agosto de 2009

#291

Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo.
em Pequenas Epifanias
de CAIO FERNANDO ABREU

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

#284



Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome
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em Pequenas Epifanias
de CAIO FERNANDO ABREU

quinta-feira, 30 de julho de 2009

#280 (e que venha agosto!)

Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um.
em Pequenas Epifanias
de CAIO FERNANDO ABREU


domingo, 26 de julho de 2009

#275

Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor sem nojo nem medo, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem.
em Pequenas Epifanias
de CAIO FERNANDO ABREU

sexta-feira, 24 de julho de 2009

#274

Andei pensando coisas sobre amor, essa palavra sagrada. O que mais me deteve, do que pensei, era assim: a perda do amor é igual à perda da morte. Só que dói mais. Quando morre alguém que você ama, você se dói inteiro (a) mas a morte é inevitável, portanto normal. Quando você perde alguém que você ama, e esse amor - essa pessoa - continua vivo (a), há então uma morte anormal. O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS quem morreu. E dói mais fundo- porque se poderia ter, já que está vivo (a). Mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER.
em Pequenas Epifanias
de CAIO FERNANDO ABREU

#273

Errei pela primeira vez quando me pediu a palavra amor, e eu neguei. Mentindo e blefando no jogo de não conceder poderes excessivos, quando o único jogo acertado seria não jogar: neguei e errei. Todo atento para não errar, errava cada vez mais.
em Pequenas Epifanias
de CAIO FERNANDO ABREU

quarta-feira, 22 de julho de 2009

#272

Porque o amor, como a morte, também existe — e da mesma forma dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte —pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) — nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade.
em Pequenas Epifanias
de CAIO FERNANDO ABREU

#271



Andei pensando nesses extremos da paixão, quando te amo tanto e tão além do meu ego que - se você não me ama: eu enlouqueço, eu me suicido com heroína ou eu mato o presidente. Me veio um fundo desprezo pela minha/nossa dor mediana, pela minha/nossa rejeição amorosa desempenhando papéis tipo sou-forte-seguro-essa-sou-maiseu. Que imensa miséria o grande amor - depois do não, depois do fim - reduzir-se a duas ou três frases frias ou sarcásticas. Num bar qualquer, numa esquina da vida.

em Pequenas Epifanias
de CAIO FERNANDO ABREU

Postando com atraso, mas sempre sem deixar de falar tudo de mim.

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