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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

February 05, 2014 at 09:30PM

“Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com esta fome na boca, beber um copo de leite, molhar plantas, jogar fora jornais, tirar o pó de livros, arrumar discos, olhar paredes, ligar-desligar a tevê, ouvir Mozart para não gritar e procurar teu cheiro outra vez no mais escondido do meu corpo, acender velas, saliva tua de ontem guardada na minha boca, trocar lençóis, fazer a cama, procurar a mancha da esperma tua nos lençóis usados, agora está feito e foda-se, nada vale a pena, puxar as cobertas, cobrir a cabeça, tudo valea pena se a alma, você sabe, mas alma existe mesmo? e quem garante? e quem se importa? (…) amanhã não desisto: te procuro em outro corpo, juro que um dia eu encontro. Não temos culpa, tentei. Tentamos.” Caio Fernando Abreu.

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February 05, 2014 at 09:28PM

“Porra, a vida é triste, como se pode viver, que dirá trabalhar – a gente dorme e sonha que está do outro lado – e é aí que o lobo que nos espreita fica mil vezes pior do que sabe-se lá o quê – e, olha aí, parei – como pode um homem mentir e dizer merda quando tem ouro na boca?” Jack Kerouac, in O livro dos Sonhos.

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